A mulher imperial

A mulher imperial

Tarde indo embora, noite chegando. Vou sair do Facebook, tomar um banho e terminar de ler, de uma vez por todas, A mulher Imperial de Pearl S. Buck (estou lendo esse livro desde 1990). Uma vizinha minha, lá de Vila Isabel, dona Dina, decidiu que iria morar num lar de idosos pois achava que morar sozinha num apartamento grande como o dela era perigoso e dispendioso. Ela foi chamando os amigos e deu a cada um as suas delicadezas. Para mim ela deu o livro que ela ganhou de um tio em 1957. É o meu troféu. Em 23 anos, venho lendo aos poucos para não acabar… Boa noite!

A minha amiga morreu no mesmo ano, 20 dias antes do Natal. Fui ao lar de idosos, uma semana antes do Natal e quase caí pra trás ao receber a notícia de sua morte. Ela pediu às enfermeiras que não avisassem a ninguém sobre sua morte, não queria velório, nem choro, não aceitava que as pessoas sofressem por coisas que eram rotineiras. Morrer, para ela, era algo que não tinha como fugir. Com as atendentes, fiquei sabendo que a busca pelo lar era porque ela já sabia que tinha poucos dias de vida. Nunca falou sobre isso. Era uma mulher branca, muito alta (1,87), cabelos grisalhos, usava óculos de professora brava, uma pessoa difícil e que não mandava recados. Eu, admirava a sua personalidade e ria quando ela ficava brava. E brigava comigo por eu só viver rindo. Aí, era que eu ria mais. No final, estava ela rindo também. Dona Dina era minha amiga e junto com outra amiga, dona Íris, também falecida, vivi os melhores anos da minha juventude. Essas duas senhoras, me ensinaram muitas coisas. E o que era divino era que dona Dina tinha um grande conhecimento, lia muito, conhecia o mundo, falava vários idiomas e dona Iris, era analfabeta e se recusava a aprender a ler.  Teimosa, porém, sábia!  Eu, coitada, amava ver as duas discutindo e chegando às conclusões mais fantásticas. Terminei de ler a Mulher imperial… emocionada e feliz por ter esse amigo-livro…

a mulher imperial

You must be logged in to post a comment Login