Conselho convoca envolvidos na gravação que levou Delcídio à prisão

Bernardo Cerveró, Edson Ribeiro e Diogo Ferreira devem falar na terça (29). Nas conversas, senador ofereceu plano de fuga para ex-diretor da Petrobras.

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Conselho de Ética do Senado aprova convocação do filho de Cerveró e de ex-funcionários de Delcídio do Amaral (Foto: Gustavo Garcia / G1)

Os senadores vão ouvir na próxima terça (29) o advogado Edson Ribeiro, que era responsável pela defesa do parlamentar do Mato Grosso do Sul, o ator Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, e Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio.

Segundo o relator do conselho, senador Telmário Mota (PDT-RR), apesar de ter sido aprovado um requerimento de convocação, as testemunhas não são obrigadas a comparecer ao colegiado. Diferentemente de comissões permanentes do Congresso Nacional, o Conselho de Ética não tem prerrogativa de obrigar as testemunhas convocadas a comparecerem às sessões.

Todas as testemunhas convocadas participaram da conversa na qual Delcídio ofereceu um plano de fuga para Nestor Cerveró. No áudio, Delcídio diz que conversaria com ministros do Supremo Tribunal Federal(STF) para que eles intercedessem em favor do ex-diretor da área internacional da Petrobras.

A defesa de Delcídio alega que o senador não estava exercendo atividades parlamentares no momento da gravação e que as conversas com ministros foram “simples” bravatas.

Depoimento Delcídio
Na sessão desta quarta, os integrantes do Conselho de Ética marcaram para 7 de abril uma nova tentativa de ouvir Delcídio.

Desde que foi autorizado pelo Supremo a cumprir prisão domiciliar, o senador do Mato Grosso do Sul não regressou mais ao Senado. Ele já apresentou três licenças médicas para evitar o retorno às atividades parlamentares.

O último atestado médico de Delcídio expira em 6 de abril. Caso a licença seja renovada, e ele decida não comparecer presencialmente ao conselho, os senadores estudam organizar uma videoconferência para ouvi-lo ou enviar uma comitiva até o local em que ele estiver.

Atestados médicos
Antes de aprovarem os requerimentos de convocação das testemunhas, os senadores que integram o Conselho de Ética questionaram a veracidade das licenças médicas apresentadas pelo médico de Delcídio.

O relator do caso questionou o fato de Delcídio ter concedido entrevista à imprensa no mesmo período em que estava sob licença médica.

“O senador, no mesmo dia do novo atestado [18 de março], ele estava dando entrevista à TV Globo. À revista “Veja” disse que estava numa carreata em São Paulo no dia 13 de março. O atestado diz que ele está sob cuidados e não pode comparecer às atividades, mas pode dar entrevista?”, reclamou Telmário Mota.

Em meio à sessão, o senador Lasier Martins (PDT-RS) afirmou que as licenças médicas de Delcídio são uma tentativas de atrasar o processo disciplinar no Conselho de Ética. O parlamentar gaúcho questionou o fato de o médico ter dado um atestado médico cinco dias antes de a licença começar a valer, ou seja, antecipando a impossibilidade de Delcídio comparecer ao trabalho.

“É evidente a intenção de procrastinação. Dá um atestado, no dia 18 de março, dizendo que ele estará impedido de realizar atividades no dia 23 de março. É evidente que é abuso. Precisamos tomar cuidado para que não se repita aqui no Senado o que acontece há meses na Câmara dos Deputados”, ressaltou Lasier, referindo-se ao processo de cassação que Eduardo Cunha enfrenta no Conselho de Ética da Câmara.

Diante do impasse, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sugeriu que o conselho convoque um perito médico para analisar as condições de saúde de Delcídio do Amaral.

Source: http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/03/integrantes-do-conselho-de-etica-questionam-licencas-de-delcidio.html

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